A origem da palavra ‘álbum’

Dos vários itens em processo de extinção, dada a tecnologia das imagens digitais, há um que muitos jovens nem conhecem: o álbum. O pessoal com quilometragem um pouquinho maior ainda guarda álbuns de todo tipo, de fotos, de figurinhas, de adesivos, de selos (eu tenho vários!), de tazos, etc., mas o fato é que o álbum anda mais sumido que caminhão a gasolina. Até o álbum de recortes, que voltou a ser modinha, agora é scrapbook.

Bom, ao menos a palavra álbum ainda resiste no mundo da Música. Quando um artista ou um grupo musical lançava uma coleção de músicas, álbum era o disco de vinil ou, depois, o CD. Hoje, mesmo que no formato digital, chamamos de álbum as músicas apresentadas em conjunto.

Por que o álbum de retratos ou o de músicas têm esse nome? Qual é a origem? A pista está aí, a olhos vistos: palavras acentuadas com final -um têm tudo para serem empréstimos do latim: vade-mécum, médium, parabélum, fórum, quórum, factótum.

Álbum vem do latim album (só tivemos o trabalho de lhe acrescentar um acento agudo), derivado de albus (branco). É um adjetivo do gênero neutro, que ainda vemos nos nomes científicos de espécies como o do visco (Viscum album), da urtiga-branca (Lamium album), do arroz-de-rato (Sedum album) e da ansarina-branca (Chenopodium album).

De albus, temos em português palavras relacionados à cor branca, tais como albinismo (ausência de pigmentação), albume (claro do ovo) e albumina (proteína descoberta no ovo, em 1869). Mudando o B para V, ficamos com alvura, alvejante, alvorada, alvinegro e alvo.

Na Roma Antiga, os pretores (magistrado que administrava a justiça) mandavam publicar seus editos (ordens, mandatos) em tábuas revestidas de gesso ou pintadas de branco. Esse primórdio do quadro de avisos era portanto chamado album. Era o equivalente ao que os antigos gregos chamavam de leukoma (do grego antigo leukós: branco).

Depois, todo tipo de anúncio público, não só dos magistrados, era publicado nos álbuns.

O termo ficou congelado no tempo até que foi revivido, no século XVI, por eruditos alemães, cujo costume era manter um album amicorum (álbum de amigos), um livro em branco com que se recolhia assinaturas de colegas e outras lembranças. O alemão letrado carregava seus álbum em todas as viagens, incentivando figuras ilustres a escreverem nele seus nomes, geralmente acompanhados dum provérbio. No século XVIII, esse álbum evoluiu para o que conhecemos como álbum de recordações.

Com a invenção da fotografia, em 1826, as fotos passam a compor também esses álbuns. Em 1859, há o registro do álbum de fotografias.

O disco de gramofone foi inventado em 1887, pelo inventor teuto-estadunidense Emil Berliner. O disco fonográfico de longa duração (o long-play ou LP) se popularizou na primeira metade do século XX e, como eram comercializados em volumes que se assemelhavam a grandes álbuns, o nome também lhe foi atribuído.

Aí, em 1968, os Beatles lançaram seu nono álbum de estúdio, intitulado The Beatles (o melhor deles, segundo muitos fãs), mas conhecido por White album, por ter a capa totalmente branca. Etimologicamente, como sabemos, é apenas ‘branco branco’.

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📚 Referências: Etymonline e CNRTL (dez. 2025).

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