
Muitas pesquisas psicológicas traçam diferentes tendências de personalidade eentre os irmãos. De modo genérico, os primogênitos tendem a ser mais responsáveis e se identificam mais com os pais; por vezes, tendem a exercer autoridade semelhante sobre os irmãos mais novos.
Quanto mais numerosa a família, mais flexíveis são as regras aos últimos a chegar. Os caçulas, por receberem menos rigidez dos pais, são mais ousados. Além disso, eles são beneficiados por serem os mais novos, os que precisam de mais auxílio parental, dando a sensação de serem os queridinhos dos pais, o protegido do mamãe.
Ué, e o filho do meio? O destronado do posto de caçula acaba também desenvolvendo, portanto, elementos de sua personalidade. Como não pode dominar o mais novo e o mais velho, treina habilidades como a negociação e a persuasão para realizar acordos e formar coalizões. Tende a ser o irmão mais diplomático.
Eh, eh! Eu é que não vou entrar nessa contenda, mas não posso deixar de notar que há palavras específicas para designar o mais velho e o mais novo. Você percebeu? Temos primogênito e caçula, mas o do meio é o do meio.
Na verdade, há um termo apropriado para o filho do meio. Ufa! Hoje, trago aqui os nomes e as etimologias para cada posição da escadinha de irmãos.
Ao filho mais velho, a designação mais comum é primogênito. A própria construção da palavra nos indica seu significado. Vem do latim primogenitus, pelo união de primus (primeiro) e genitus (gerado). A formação da palavra é parecida a que há no alemão Erstgeborene, no francês premier-né, no inglês firstborn, no polonês pierworodny e no sueco förstfödd.
Existe um apelido menos técnico para o mais velho, mas, sinceramente, nunca ouvi ser empregado no dia a dia. Antigamente, dizia-se morgado ao primogênito. O termo é derivado do latim medieval majoricatus vindo de majoris, que significa ‘do mais velho’. É por isso que, em espanhol, o filho mais velho é chamado hijo mayor.
Ao mais novo, há mais termos e apelidinhos engraçados. Temos dicionarizados as expressões raspa do tacho (com as variações rapa e rapinha do tacho), ponta de rama, fim de rama e fim de safra.
Em Portugal, é comum se dizer benjamim (com inicial minúscula mesmo) ao último rebento. A referência é a de Benjamim, que, na Bíblia, era o filho mais novo e o predileto de Jacó.
No Brasil, o termo que pegou mesmo foi caçula. Com bem menos frequência, também se fala caçulo e caçulê. São três variações de kasule, que na língua quimbundo (falada em Angola) significa ‘último filho’. Caçula, além de designar o filho, pode ser empregado ao irmão. Eu mesmo sou o irmão caçula.
Tem mais termos para o caçula? ¡Sí, sí, sí! Se o primeiro é o primogênito, o último é o ultimogênito. Estranho, né?
Bem, na mesma linha de estranheza, então, temos o termo designativo do filho do meio. Ele é o secundogênito ou segundogênito. Se for o terceiro filho, terceirogênito. Os dicionários param por aí – até porque, atualmente, as famílias não estão mais tão numerosas.
O segundo filho também tem um termo menos técnico, mas, assim como o morgado lá, quase não tem uso. Se o mais velho é o cabeça dos irmãos, caput em latim, o segundo mais velho, no latim medieval, era o capitellum (diminutivo de caput; o pequeno chefe). No dialeto gascão (do Sudoeste da França), capitellum virou capdet, que depois ficou por cadet em francês e cadete em português.
Eita! Secundogênito, cadete… Acho melhor ficarmos com filho do meio mesmo.
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📚 Referência: Ser primogênito, do meio, ou caçula influencia sua vida. E você, que posto ocupa?, por Pilar Jericó, no jornal El País (mar. 2020).
🖼️ Figura: ChatGPT (set. 2025).
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