
Para enroscar em maçanetas? Para puxar o aluno para trás se desse algo errado com o experimento (ou caso o aluno quisesse fugir da aula)?
Bem… Pode até ser, mas seu uso inicial era outro. O pipoqueiro, o professor, o dentista e o médico usam o jaleco pelo mesmo motivo: proteger sua roupa dos produtos com os quais trabalha. (Quanto ao vendedor de colchões, não faz sentido! 🤷♂️) Seu uso é amplo, mas quem inaugurou a moda foram os médicos.
Estar sujo não era um problema na Idade Média, época em que médico competente era aquele que andava com a indumentária coberta de sangue, mostrando a lambança como um troféu. Médico trabalhador estava emporcalhado; médico à toa estava limpo. Simples assim.
Quando a Teoria Microbiana das Doenças apareceu no século XIX, entendeu-se finalmente que a assepsia era imprescindível à saúde. Assim, a limpeza da roupa passou a ser uma prioridade e o jaleco, a ser item obrigatório da indumentária médica.
A palavra jaleco tem origem do turco yelék, uma espécie de jaqueta em que as mangas vão até os cotovelos. (Os dólmãs dos chefes de cozinha têm a mesma origem.) Outros nomes usáveis são jaleca, guarda-pó, bata e avental.
Assim como um sobretudo, o jaleco é colocado por cima da roupa que se está usando. Antigamente (e hoje em alguns jalecos mais chiques), o que havia na cintura era um cinto ajustável, por botões ou fivela. O objetivo era ajustar o jaleco ao corpo não deixando que o tecido solto atrapalhasse os procedimentos quando o médico se inclinasse.
Com a popularização do uso do jaleco em várias profissões, a peça foi simplificada para ficar mais acessível. O cinto deu lugar a uma faixa na parte de trás, que deveria cumprir sua função de ajuste. Sua utilidade, no entanto, acabou ficando restrita à composição estética da peça, para dar um ar mais profissional. É só enfeite.
📚 Referência: Frock coats to scrubs: a story of surgical attire, por Susan Isaac, na página do Royal College of Surgeons of England (fev. 2018).
🖼️ Figura: ChatGPT (ago. 2025).
Deixe um comentário